quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Os Faroleiros da Atual Cidade

Os Faroleiros da Cidade 
Aline Mendonça 
alinemp1980@gmail.com 


Na solidão do campo, os faroleiros de Lobato vigiam, presos à monotonia, e acabam tragados por um destino cruel: a violência que brota da solidão e da incompreensão. Troque-se o cenário: a cidade, em vez do farol; as ruas, em vez do mar. O enredo não muda tanto assim. 
Hoje, os faroleiros urbanos somos nós. Cercados por muros, câmeras e grades, observamos a vida passar da janela, enquanto a violência ronda silenciosa. Notícias de assaltos, brigas, feminicídios e mortes se repetem com a mesma cadência da luz que os faróis lançavam à escuridão. 
Assim como no conto, onde o isolamento desemboca em tragédia, também na cidade a ausência de diálogo e de empatia fermenta conflitos. A violência urbana não é só estatística: é a dor que se espalha, é a pressa que nos torna indiferentes, é o medo que nos separa. 
Talvez a lição dos faroleiros de Lobato seja justamente essa: quando o homem se aparta do outro, seja na solidão da mata ou no concreto da metrópole, a violência se instala como única linguagem possível. 
E, no fundo, continuamos todos faroleiros — tentando iluminar um pouco da escuridão que insiste em cercar a vida.

O riso que EXCLUI

Jornal Tribuna

Por Aline Mendes, especial para o Jornal Tribuna Em Urupês (1918), 

Monteiro Lobato apresentou ao público o conto “O Engraçado Arrependido”, que retrata um personagem cuja graça consistia em ridicularizar os outros. O riso, ali, não brota da criatividade, mas da crueldade. 
Mais cedo ou mais tarde, porém, o efeito é devastador: a zombaria deixa cicatrizes e gera arrependimento. Mais de cem anos depois, a cena não mudou tanto. Em meio às redes sociais, multiplicam-se piadas, memes e comentários maldosos que insistem em se esconder sob a desculpa de “humor inocente”. O alvo quase sempre é o mesmo: quem foge ao padrão — seja pela cor da pele, pelo gênero, pela orientação sexual, pela condição social ou pela forma de existir.
Falar em respeito à diversidade não significa censurar o riso, mas compreender que piada que fere não é engraçada, é violenta. O humor pode ser crítico, criativo e até transformador, mas não pode ser usado como arma para humilhar. 
O “engraçado arrependido” de Lobato é uma lembrança literária de que a zombaria cobra um preço alto, tanto no passado das relações interpessoais quanto no presente das interações digitais. Rir do outro é perpetuar desigualdades; rir com o outro é abrir espaço para empatia e convivência. 
A diversidade não é obstáculo para a vida em sociedade, é justamente o que a torna mais rica. O desafio está em escolher um tipo de humor que não exclua, mas una. Afinal, como mostra Lobato, cedo ou tarde, a gargalhada que desumaniza se transforma em silêncio de arrependimento. 

" Os Faroleiros", livro Urupês de Monteiro Lobato - Resumo

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Redação dissertativa argumentativa com tema diversidade versus O engraçado arrependido, conto do caderno Urupês. Como vincular literatura e redação?


Redação

Título: O valor do respeito à diversidade nas relações humanas

Em uma sociedade plural, o respeito à diversidade se apresenta como condição essencial para a convivência pacífica e o fortalecimento dos laços sociais. Contudo, atitudes de desrespeito, preconceito e intolerância ainda se fazem presentes no cotidiano, gerando conflitos e exclusões. A literatura, ao retratar tais comportamentos, contribui para a reflexão crítica sobre a necessidade de valorização das diferenças. Nesse sentido, o conto O Engraçado Arrependido, de Monteiro Lobato, ilustra de maneira simbólica os prejuízos causados pela falta de respeito e empatia.

Na narrativa, um personagem se diverte às custas do sofrimento alheio, zombando de um homem que chorava por causa da morte do filho. O riso cruel e desumano do “engraçado” revela a incapacidade de compreender a dor do outro e de reconhecer a legitimidade de sentimentos diferentes dos seus. O arrependimento posterior do personagem surge tarde demais, evidenciando como a ausência de respeito pode gerar culpas irreparáveis. Essa situação pode ser associada à realidade social, em que pessoas ainda sofrem discriminação por sua cultura, religião, gênero ou orientação sexual, justamente pela dificuldade que muitos têm de aceitar o que é diferente.

Além disso, o episódio literário mostra que rir da diversidade humana é um ato de violência simbólica, capaz de marginalizar indivíduos e reforçar desigualdades. Assim como o personagem de Lobato reconhece, tarde, o erro de zombar do outro, também a sociedade precisa compreender que o respeito às diferenças deve ser cultivado antes que a dor do preconceito deixe marcas irreversíveis. A valorização da empatia e da alteridade é, portanto, o caminho para uma convivência mais justa e humanizada.

Dessa forma, a leitura do conto O Engraçado Arrependido permite refletir sobre os danos provocados pela intolerância e pelo desrespeito às emoções e condições diversas das pessoas. Cabe à sociedade, especialmente por meio da educação, estimular a cultura do respeito e da solidariedade, de modo que a pluralidade seja compreendida como riqueza, e não como motivo de exclusão. Afinal, conviver com a diversidade é reconhecer, em cada diferença, uma oportunidade de crescimento coletivo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Pré Modernismo

Pré Modernismo


O Pré-Modernismo foi um período literário brasileiro que serviu de transição entre o Simbolismo (do final do século XIX) e o Modernismo, que se inicia oficialmente com a Semana de Arte Moderna de 1922. Embora não seja considerado uma escola literária oficial, o termo é amplamente utilizado para caracterizar a produção literária entre 1902 e 1922.


📍 Contexto histórico

O período pré-modernista ocorreu num momento de grandes transformações no Brasil:

  • Crise da República Velha
  • Progresso técnico-científico (industrialização, urbanização)
  • Questões sociais emergentes (pobreza, desigualdade, migração, coronelismo)
  • Movimentos sociais, como o Cangaço e a Revolta da Vacina
  • Contrastes entre o Brasil urbano e moderno e o Brasil rural e atrasado

🖋️ Características do Pré-Modernismo

  • Ruptura com o academicismo (mas sem romper completamente com o passado)
  • Linguagem mais simples e direta, próxima da realidade brasileira
  • Retrato das contradições sociais e regionais do Brasil
  • Crítica social: foco na miséria, no atraso, na corrupção e na exploração
  • Regionalismo forte: destaque para o sertão, o interior e as mazelas sociais
  • Personagens marginalizados: jagunços, sertanejos, retirantes, mulatos, operários

📚 Principais autores e obras

Autor Obra principal Temas abordados
Euclides da Cunha Os Sertões (1902) Sertão, Guerra de Canudos, análise social e geográfica
Lima Barreto Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915) Nacionalismo, burocracia, preconceito racial
Monteiro Lobato Urupês (1918) Caipira, atraso rural, crítica social
Graça Aranha Canaã (1902) Imigração, identidade nacional
Augusto dos Anjos Eu (1912) Pessimismo, morte, ciência, linguagem única

🧭 Transição para o Modernismo

O Pré-Modernismo é importante porque:

  • Introduziu novos temas e formas de abordar a realidade brasileira
  • Abriu espaço para o Modernismo de 1922, que romperia de vez com os padrões do passado
  • Mistura elementos antigos (forma tradicional) com **
Veja mais aqui.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

terça-feira, 14 de julho de 2020

Conectivismo


Teoria da Aprendizagem do Conectivismo



Constitui da disposição da aprendizagem, ou seja, é uma abordagem educacional mediada pela tecnologia em que ocorrer individualmente ou e grupo, acontece devido aos meios midiáticos e tecnológicos que a sociedade contemporânea está inserida. Seja por meio do uso do computador, sistema android, televisão, internet, entre outros. A aprendizagem conectivista propõe mudanças entre o ensino e a aprendizagem, bem como a prática docente, em que o uso de tecnologias cada vez mais tem transformado as relações humanas e modos de interação do conhecimento, desenvolvimento crítico e autonomia do indivíduo. Assim é proposto diversas opiniões em que a finalidade da educação, que é a de formar um cidadão crítico e reflexivo mediado por recursos tecnológicos, tendo em vista a necessidade da formação continuada do docente a fim de que as dificuldades dos usos tecnológicos ( das TIC’s), sejam superadas frente a uma realidade de uma geração que vivencia o mundo midiático.

George Siemens, professor e pesquisador da aprendizagem na era digital, aponta que o conhecimento provém da distribuição de uma rede de conexões, em que a aprendizagem percorre por conexões interativas de redes, desenvolvendo a reflexão, decisão e o partilhamento.

Para Siemens (2004): 

O Conectivismo apresenta um modelo de aprendizagem que reconhece as mudanças tectônicas na sociedade, onde a aprendizagem não é mais uma atividade interna e individual. O campo da educação tem sido lento em reconhecer, tanto o impacto das novas ferramentas de aprendizagem como as mudanças ambientais na qual tem significado aprender. (p. 8). 

O ser humano chega na educação formal cheio de saberes pré concebidos da sua formação familiar, social e também imbuído de uma geração inserida no contexto tecnológico do cotidiano.

[...] eles já nasceram em uma época em que a informação é ágil, conceitos são defendidos e derrubados em um curto espaço de tempo. A Internet proporciona informações de todas as partes do mundo quase que sincronizadamente, por isso a necessidade de manter fortes as conexões com dados utilizáveis nunca foi tão necessária. (LANGARO, 2013, p.2).

Deste modo a aprendizagem é mediada não apenas pela escola, mas parte do entorno que o indivíduo está, sendo a tecnologia parte da realidade social e contemporânea e o profissional da educação, um agente condutor com proposições e objetivos a mediar todo esse entorno do aprendiz, partindo do pressuposto de que em toda parte há excessos de informações. Para Siemens o saber é construído inicialmente pelo próprio indivíduo, quando o aprendiz se constitui do interesse pelo conhecimento, o mesmo passa ser um agente modificador, contínuo e dinâmico, ultrapassando deste modo o conhecimento prévio que outrora possuía.




Na visão de Siemens todo processo de conhecer parte inicialmente do indivíduo. O aprendiz ao nutrir interesse em conhecer, o processo de aprendizagem torna contínuo e dinâmica e não se reflete apenas nos meios formais de ensino, mas no seio da sociedade a qual o indivíduo interage. Portanto ensinar é um modo de conduzir, seja por meios diversos de avaliação dos processos cognitivos, mediados por feedbacks ao educando para obtenção de um determinado saber em que transforme o contexto do mesmo, para Abrantes e Souza (2016): 

[...] tomar consciência do papel da tecnologia na vida cotidiana, compreender a construção do conhecimento na sociedade da informação e descobrir como participar efetivamente desse processo e como inseri-lo em sua prática pedagógica, com o propósito de contribuir para a qualidade da educação e da inclusão social, atendendo às reais --n ´´necessidades e interesses da nova geração. (ABRANTES; SOUZA, 2016, p.3). 



Referências





ABRANTES, Maria Gracielly Lacerda; SOUSA, Robson Pequeno. Formação continuada e conectivismo: um estudo de caso referente às transformações da prática pedagógica no discurso do professor. In: SOUSA, Robson Pequeno et al. (Org.). Teorias e práticas em tecnologias educacionais [online]. Campina Grande: EDUEPB, 2016, p.195-222. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2016 

ABRANTES, Maria Gracielly Lacerda; SOUSA, Robson Pequeno. Formação continuada e conectivismo: um estudo de caso referente às transformações da prática pedagógica no discurso do professor. In: SOUSA, Robson Pequeno et al. (Org.). Teorias e práticas em tecnologias educacionais [online]. Campina Grande: EDUEPB, 2016, p.195-222. 

SIEMENS, George. Conectivismo: uma teoria da aprendizagem para a era digital. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2020. 

SIEMENS, George. Connectivism: learning theory or pastime of the self-amused? 12 nov. 2006. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2020. 

SIEMENS, George. Uma breve história do conectivismo. 2008. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2020. 


TEIXEIRA WITT, DIEGO ; CRISTINA MARTINI ROSTIROLA, SANDRA . Conectivismo Pedagógico: novas formas de ensinar e aprender no século XXI. Thema (Pelotas), v. 16, p. 1012-1025, 2020.